Esse capital é multiplicado e ampliado pelo "tesouro de graças" sofrido por inúmeros mártires e testemunhas da fé. Só um cristão que se doa é uma prova convincente da autenticidade da fé. A respeito do Papa São Pio X se conta que, como bispo diocesano de Mântua (Itália), muitas vezes ele presenciava os exames finais de seus seminaristas e gostava, ele mesmo, de fazer perguntas. Uma delas era: "Sabe dizer quais são as Notas características da Igreja de Jesus Cristo?" A essa pergunta elementar os examinandos naturalmente sabiam responder facilmente: A Igreja de Cristo é a Igreja una, santa, católica e apostólica. Mas então o bispo sempre completava: "O senhor esqueceu uma coisa importante: a Igreja de Jesus Cristo também é sempre a Igreja perseguida." Provações e perseguições, portanto, pertencem por assim dizer ao "estado normal" da Igreja. São a sua "certidão de autenticidade".
Caros amigos, nesta Quaresma vamos unir-nos aos cristãos provados por sofrimentos no mundo inteiro, e ofereçamos também nós a nossa "gota diária de sangue" pela Igreja e pela conversão dos povos. Que sobretudo a contemplação da Via Sacra se torne para nós uma fonte de graças, da qual possamos colher forças para transformar, pelo amor, em bênção tudo o que nos causa sofrimento e pesa no nosso dia a dia. Especialmente na hora sagrada da morte do Senhor, podemos alcançar tudo. Foi exatamente isso que Jesus prometeu à santa Irmã Faustyna Kowalska: "Nessa hora Eu não nego nada à alma que me pede em nome de meu sofrimento... Você pode pedir tudo para você mesma e para outros... Nessa hora, procure esforçar-se para fazer a via sacra. Mas se isso não lhe for possível, então vá por um momento à capela e venere o meu Coração... Caso também isso não lhe seja possível, aprofunde-se na oração, ainda que brevemente, no lugar em que estiver."
Cada um pode fazer algo. Cada um pode amar. Nós lhes agradecemos, queridos benfeitores, pela sua oração e suas ofertas de amor. Movidos pela sua disposição, que é a disposição de Cristo, queremos levar essas ofertas lá onde a Igreja realmente sofre.