Sto. Agostinho traduz esta aspiração de nosso coração humano. "Quão tarde eu te encontrei, ó meu Deus. Inquieto estava meu coração enquanto não descansou em Vós”. Exclama o salmista: "Minha alma tem sede, sede do Deus vivo. Quando enfim irei contemplar a face de meu Deus?" (Sl. 41.3.)
Entretanto o que mais nos emociona é saber que o Deus da Bíblia, revelado por Jesus, é um Deus apaixonado pela humanidade e que nos ama desde sempre e para sempre. E mais, Deus tem pressa em partilhar sua vida e amor conosco. Esta é a grande verdade. Cristo nos revelou que somos imensamente amados por Deus. E sabemos pela própria experiência humana que quem se descobre amado se transforma, acredita na vida e se salva.
A Bíblia, os Evangelhos e as Cartas Apostólicas nos mostram que a aspiração interna de nosso coração para a comunhão com Deus é antes de tudo uma iniciativa gratuita de Deus por nós. Deus é Quem sempre nos procurou e nos procura por primeiro. "Nisto consiste o amor: não em termos nós amado a Deus, mas em ter-nos Ele amado por primeiro e enviado seu Filho para expiar nossos pecados" (1Jo.4,9s.)
O cristianismo é a religião do Deus enamorado, apaixonado e comprometido com cada pessoa. Sim, Deus nos amou desde sempre, nos amou incansavelmente através dos tempos, mas particularmente nos amou e nos ama através da dádiva de seu único Filho amado, Jesus, que se tornou um de nós, Pessoa humana, Deus Homem.
Jesus é a encarnação viva do amor eterno de Deus Pai que se fez presença humana para nos salvar. No Deus que se fez Homem em Jesus, o horizonte de nossa humanidade se valorizou e se abriu em dimensões de eternidade. Através da encarnação, da vida, da paixão, da morte e da ressurreição de Jesus a nossa aspiração pela eternidade deixou de ser sonho para ser promessa de Deus para o nosso presente, como para o nosso futuro. O nosso sonho de encontro com Deus deixou de ser procura para ser encontro pessoal na Pessoa de Jesus.
Cristo, com sua vida, paixão, morte e ressurreição se transformou no único e eterno sacerdote, o Cordeiro vivo, Aquele que tira o pecado do mundo. Cristo é a nossa única e verdadeira esperança, a nossa salvação definitiva.
No mês de junho, através da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, devemos sempre mais tornar vivo em nós e entre nós o amor deste Deus, que espera ser encontrado na procura incansável do homem pela paz.
Enfim, nossa aspiração para a eternidade não é apenas uma possibilidade, mas tornou-se promessa salvadora de Deus para todos que amam e seguem Jesus. Não caminhamos para o desconhecido, mas em Cristo e por Cristo caminhamos para o encontro com a posse plena da Vida, que é Deus, na eternidade.