Domingo, 05 de Fevereiro de 2012
   
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Um servo inútil

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Muitos me atribuem virtudes que não possuo. Na realidade, sou apenas um servo inútil que diariamente se surpreende com o bem que Deus faz através dele.

Quem bem me conhece sabe do meu lado obscuro e das coisas que eu lamento... Mas tudo foi em vista da vocação que eu, sem merecer, recebi de Deus, o que me faz ser-lhe mais grato ainda, pois, decorridos tantos anos, continuo sendo um pobre pecador.

Tendo isso em conta, compreende-se que minha crítica a pessoas e opiniões que, segundo minha convicção, representam um perigo para o Reino de Deus, não decorre de presunção, mas de um anseio muitas vezes impotente de cumprir a vontade de Deus e de ser um fiel filho da Igreja.

O conflito entre a doutrina e a vida é tão antigo quanto o pecado original. São Paulo assim se exprimiu: "Visto que não faço o bem que quero e faço o mal que não quero" (Rm 7,19). A pessoa que faz o possível e mesmo assim não consegue fazer o que considera moralmente bom, não se torna desonesta por causa disso. Muito pelo contrário! Quem confessa que as exigências de Deus permanecem válidas a despeito dos próprios fracassos é honesto. Desonesta é a pessoa - e isso é um sinal dos nossos tempos - que manipula a verdade segundo o seu próprio modo de viver, que estabelece como norma o próprio modo de agir, que nega a validade das leis morais porque ele mesmo não as respeita.

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